quinta-feira, 29 de julho de 2010

Guerra de blinds: Entre se for capaz (Parte 1)


Quantas vezes você já caiu de um torneio tentando roubar o big do parceirao exatamente ao seu lado? Várias? Não se preocupe, a grande maioria dos jogadores cometem vários erros ao tentar jogar a mão sem posição com nosso “irmão cego".

Jogar sem posição obviamente não é a melhor das coisas, especialmente com um jogador que você não faz a menor idéia do que ele pode ter.

Considerando isso, vou dar umas dicas de como abordar essa guerra com melhores chances de se sair vitorioso sem derramar muito sangue.

Nessa primeira parte vou direcionar para a perspectiva do small blind.

Vamos considerar então a seguinte situação: mtt após a bolha, blinds 500/1000 - 150 ante, seu stack de 60k e do big 60k. A mesa inteira roda em fold, você espera um raise do botão que não acontece, e agora você se encontra nessa situação.
Você agora tem duas decisões: dar aquele “walk” pro big, que eu NÃO sou adepto ou tentar ganhar o pot (500+1000+9x150 = 2850) que corresponde a ~5% do seu stack.
Situação esclarecida. Agora vamos supor a seguinte mão: Você (JQs) e nosso amigo com uma mão desconhecida.

Primeira abordagem: Small Ball

Chegou aquele velho gap, e você atira 2.4k pra ganhar 2850. Ele resolve da call, pois tem muito odds e tem posição sobre você, e ainda por cima você parece ter mostrado fraqueza com o bet pequeno. Flop vem K J 2, você da c-bet de 3k, tomando um raise de 8.4k e ficando numa situação bastante complicada, obviamente a mão continua mas concorde comigo que é uma situação chata na qual você não quer se meter, pois nosso amigo pode ter air ai várias vezes, Kx várias vezes, Jx várias vezes, 2x várias vezes, etc.

Observação: Obviamente que toda essa análise desconsidera mãos Premium.

Segunda abordagem: Agressivo

Chegou aquele velho gap esperado, você atira 3.5k. O parceiro olha as cartas dele e já não parece gostar tanto do jogo, mas vai da call pra jogar em posição, pois você tem muitas fichas e “parece estar forte e pode ganhar muitas fichas caso acerte algo” (detalhe como já mudou o pensamento sobre outro). Flop vem K J 2, você da c-bet de 5.5k, e toma raise de 16.8k. Viu como a decisão agora ficou fácil? O range geralmente é de ter acertado o flop com Jx, Kx QT, Q9, etc., e pouquíssimas vezes moves com nada (talvez jogadores regulares percebam sua força como fraqueza e queiram se aproveitar disso). Como na mão anterior, obviamente que a mão continua, mas agora você já consegue colocar nosso amigo num range mais especifico, de acordo com a imagem dele à mesa, seu estilo, etc., daí você pode seguir em frente mais facilmente, em minha opinião.

Queria deixar claro que não quero fazer você ganhar todos os potes sem posição flopando midlle pair, e sim deixar você com as armas necessárias pra combater o jogador que tem posição em cima de você, onde você não tem leitura dele e esta disputando um pot honesto. No primeiro caso uma situação que já é complicado de small x big preflop se tornou ainda mais complicado no flop com o pote ainda maior e você com midlle pair sem fazer a menor idéia onde esta, investindo 2.4k + 3k = 5.4k (5,4BB).

Na segunda investimos 9k (9BB), mas já suspeitamos onde estamos pisando, podendo seguir na mão de uma maneira menos cega.

Isso que eu acho o mais importante.

Se você prefere não enveredar por esse caminho complicado de brigas de blind talvez a melhor opção seja o fold.

No próximo post vou analisar sobre a perspectiva do big blind.

Caso queira discutir algum ponto comente abaixo que eu vou ficar feliz em responder.

Abraços e obrigado a todos que visitam o blog do Shark!

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